domingo, 29 de novembro de 2009

De volta à Amboise

Ao voltar de Chenonceau, fomos dar uma volta no centro da charmosa cidade de Amboise. Nós não visitamos o Chateau de Amboise, mas deveríamos, pois este chateau também foi residência real e onde está a tumba de Leonardo da Vinci. Tudo bem... estávamos cansados e satisfeitos com tudo o que havíamos visto naquele dia.


Enfim, o dia havia acabado, com a expectativa de mais um dia no Vale do Loire, e a continuação da viagem rumo a Poitiers.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

6º Dia – Vale do Loire – Chenonceau

Visitar o Vale do Loire foi uma experiência daquelas que chegam a doer de lembrar. Dói mesmo, uma dor de nostalgia. Dá saudades como se fosse de uma pessoa querida que não vemos há muito tempo e que sabemos que está lá, linda e disponível, esperando em nos receber novamente. Dói saber que vi tão pouco, e que há ainda dezenas de castelos a desvendar, histórias a conhecer. A França é assim: um vício.
Chenonceau foi o ponto alto de um dia inesquecível. O lugar é simplesmente magnífico: após estacionar o carro, atravessamos uma alameda de belos plátanos até termos à vista a Torre Marques, uma torre medieval circular que faz parte da antiga propriedade da família Marques, os primeiros moradores do local nos idos de mil, duzentos e bolinha.

O acesso continua entre os jardins assentados sobre plataformas e separados por fossos formados pelas águas do Rio Cher. O château propriamente dito estava então à nossa frente: uma bela construção renascentista, com inúmeros torreões e telhados de ardósia, que se projeta sobre o rio exatamente como uma ponte.

Antes de entrarmos, queríamos tirar fotos do cenário todo.
Começamos pelo jardim de Diane de Poitiers, a amante que ganhou o château de presente do rei Henrique II, e que foi responsável por muitas benfeitorias no local.

Sua obviamente-rival, Catarina de Médici, esposa do rei Henrique II, foi a responsável pelo outro jardim, oposto ao primeiro e de onde se tem belas vistas da construção.

Descendo um pouco à margem do rio, pudemos tirar aquela foto romântica do castelo, refletido no suave movimento das águas que passam entre as suas arcadas. Quantas milhares de vezes essa foto deve ter sido tirada!

A visita aos interiores do château foi certamente interessante: os ambientes estão decorados com móveis de época e imensas tapeçarias. Lembro-me particularmente do hall principal, com seu teto de abóbadas de arestas, da pequena capela e da ainda equipada cozinha. A Galeria, como é chamada a ala de 60 metros de extensão que atravessa o rio, foi construída por Catarina de Médici sobre a ponte erguida por Diane de Poitiers. Em um de seus pavimentos havia uma exposição do artista plástico Pierre Yves Tremóis, cujos refinados desenhos e esculturas libidinosas devem ter assustado as 50 beatas italianas que visitavam o local naquele dia. Nos divertimos muito com a cena (que não presenciamos) e deixamos Chenonceau rindo a toa.
O presente de última hora foi esta foto (abaixo)...

Alias, se quiser tirar fotos aéreas dos castelos é só falar com esses caras (link). Eles podem levar você e sua esposa por apenas 398 Euros. Deve valer a pena (!)

E como diriam os comerciais da Polishop: "E ainda, não acabou!!!
Chegamos de volta em Amboise a tempo de passear um pouco...

Não deixe de visitar o site oficial de Chenonceau. O tour virtual do site é ótimo.

Visite também este blog, com muitas informações e fotos adicionais de Chenonceau e muitos outros castelos do Vale do Loire.

domingo, 22 de novembro de 2009

6º Dia – Vale do Loire – Blois

Saindo de Chambord fizemos uma rápida parada em Blois, uma pequena cidade de 50.000 habitantes às margens do Rio Loire. Blois é famosa pelo seu château, moradia real entre os séculos XIV e XVII. Nós infelizmente não o conhecemos, tão pouco podemos dizer que conhecemos a cidade. Achamos um lugar bacana para estacionar o carro à beira do rio para tirar fotos e depois demos uma volta rápida pelas suas ruas. Foi só isso, mas foi o bastante para deixar-nos com vontade de ficarmos hospedados lá numa próxima viagem. Passar uns dois dias lá não seria nada mal.

Seguimos para Chenonceau....

domingo, 15 de novembro de 2009

6º Dia – Vale do Loire – Chambord

Seguimos viagem para Chambord, que fica a poucos quilômetros da cidade de Blois e a aproximadamente 50 km de Amboise. Este percurso é delicioso: a estrada segue próxima ao rio, com um ou outro castelo despontando entre bosques e pequenos vilarejos.
A primeira visão do Château de Chambord é impressionante. Acredito que a dimensão do castelo e a paisagem circundante são os responsáveis pelos suspiros românticos dos visitantes. Num segundo olhar, as dezenas de torres, chaminés e mansardas do telhado parecem confusas, um emaranhado de coisas de difícil compreensão. Mas talvez você nem perceba isso: o cenário é encantador demais para se perder em detalhes.


Três coisas que ficaram na memória:
1- Nós não pagamos entrada – era domingo, e não era cobrado ingresso neste dia.
2- É possível passear no telhado. Eu fiquei alucinado, tirando dezenas de fotos do entorno e de muitos detalhes arquitetônicos interessantes.
3- A escada principal, supostamente idealizada por Leonardo da Vinci (aliás, diz-se que o projeto de Chambord foi baseado em um croqui do próprio, fato pouco provável). A escada é em duplo-hélice: são duas escadas helicoidais (o vulgar caracol) em um mesmo eixo, ou seja, se uma pessoa subir em uma delas, e a outra descer pela outra não vão se encontrar no meio. Óbvio? Mas difícil de entender não? Veja esta foto, e essa - acho que ajudarão.


Curtíssima história do castelo:
A construção começou em 1519, segundo um modelo de Domenico di Cortona, durante o reinado de Francisco I. As obras se estenderam até 1559, mas a o castelo nunca foi completado. Os Château de Amboise e Blois eram residências oficiais do rei Francisco I, portanto a construção de Chambord serviria apenas como residência de caça. O rei passou apenas 7 semanas ao todo no local e suas curtas temporadas de caça movimentavam a corte: 2000 pessoas, todo mobiliário, utensílios e comida eram levados em cada visita.

O edifício:
São quatro alas que se fecham em um pátio retangular, onde se ergue o corpo principal da construção. Os cantos se abrem em torres cilíndricas (bastiões), mas parte das alas laterais e a ala posterior não foram completadas e possuem apenas um pavimento. O edifício tem portanto a forma de fortificação em sua concepção (incluindo um fosso), mas é erguido segundo a arquitetura renascentista francesa, que se apropriou do modelo italiano.
O castelo mede 156 x 117 metros e abriga 440 ambientes, com 365 lareiras e 84 escadas. Números são sempre interessantes, mas nada como uma foto aérea para entender tudo.
Neste post, eu comentei que parte do acervo do Louvre foi trazida para cá durante a Segunda Guerra, a fim de protegê-la.
Há uma área com restaurantes dentro do parque, onde nós almoçamos qualquer coisa. Vimos muitos franceses passeando com suas famílias. Não sei se eram turistas ou moradores de vilas e cidades vizinhas. Que privilégio ter um lugar como esse por perto, não?
Nossa visita durou pouco, e creio que será difícil voltar lá. Esse registro escrito é uma forma de manter viva essa memória.
Próxima parada: Blois e Chenonceau.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

6º Dia – Vale do Loire – Chaumont

A primeira coisa que fiz naquele domingo foi abrir a janela. Estava sol. Para mim, aquilo fazia uma grande diferença na época: como adoro tirar fotos, eu ficava (ficava, no pretérito) meio mal humorado com tempo ruim. Mas o mau humor nem chegou perto: após um café agradável saímos para explorar a região, bem cedo. Eu já tinha uma idéia do que veríamos (óbvio): as cidades de Amboise, Blois, o Château de Chambord, e se fosse possível, Chenoceaux.
Paramos em um vilarejo muito charmoso, chamado Chaumont-sur-Loire, a 16km de Amboise. O Château de Chaumont está ali perto, em cima de uma colina. Resolvemos conhecê-lo, mesmo não estando no roteiro (não sou tão 'engessado' assim...). Foi nossa primeira parada e já ficamos de queixo caído com a beleza do lugar.
O castelo foi construído em fins do século XV e foi propriedade de Catarina de Médici e de sua rival Diane de Poitiers.
Vemos na construção todas as características da arquitetura militar: fosso, ponte levadiça e torreões. Estão misturados detalhes góticos e renascentistas, combinação freqüente nos castelos do Vale do Loire.


Há uma bela vista do rio Loire apartir do pátio do castelo. Os interiores são muito interessantes e repletos de mobiliário de época.

Diz-se que Nostradamus passou por aqui, bem como Benjamin Franklin, que chegou a ficar hospedado no castelo.
Veja aqui uma bela foto do castelo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Caminho para Amboise

Antes de chegarmos a Amboise, havia muito chão pela frente. Nos perdemos na saída de Chartres – saímos de Paris ilesos e fomos nos perder numa cidadezinha! Depois, rodamos mais 130km. Em Amboise tínhamos uma reserva em um hotelzinho pequeno, mas para nossa surpresa parecia não haver ninguém lá. Tocamos, gritamos, buzinamos e nada. Tudo escuro. Perguntamos para um vizinho e só entendemos algo como "Je suis désolé". Madame Bonachera (nunca esqueci esse nome, não sei porque) esperou até às 18:00 horas e enfim, se mandou.
A sorte é que eu lembrava do nome de um hotel do outro lado do rio chamado La Pérgula. Fomos para lá, preocupados com a estrada estreita e escura, e já estávamos exaustos. Havia um único quarto disponível – no sótão! Beleza, era tudo o que queríamos. O dia seguinte reservava grandes acontecimentos. Eu rezei para sair sol e para o piso de madeira velha não afundar com a gente.

domingo, 1 de novembro de 2009

5º dia: Chartres

Deixamos Versailles com destino à Chartres, pequena cidade com 42.000 habitantes, a 96 km de Paris. Seria mais uma parada neste longo dia, antes de chegarmos à Amboise.
Lembro-me de estarmos irradiantes com aquele momento: dirigíamos na França, ouvindo Paul McCartney, e avistamos as torres da catedral ainda da estrada, a mais de 10km de distância!
A Catedral de Chatres é um dos mais preciosos monumentos históricos da França e uma das mais belas catedrais góticas da Europa.
Para chegar à catedral passamos a pé por uma ponte de pedra sobre o rio Eure e por estreitas e simpáticas vielas. A catedral ergue-se massivamente em meio à este acanhado cenário urbano.

A primeira igreja românica erguida neste local foi iniciada no ano de 1020 e destruída por um incêndio em 1194. Remanescentes da fachada principal, do campanário sul e da cripta sobreviveram a este incêndio, e assim foram incorporados à construção da nova catedral gótica, finalizada em apenas 26 anos, ou seja, em 1220.

A praça em frente à fachada principal (desenho acima) permite que se tenha uma visão magnífica da catedral e suas torres de diferentes formas arquitetônicas. A torre mais baixa, com 105 metros, pertence ao primeiro período de construção, daí as suas feições românicas. A mais alta, com 113 metros e erguida no século XVI, tem características do gótico flamboyant.
Finalmente entramos na catedral, boquiabertos com suas dimensões. A nave, com cerca de 100 metros de comprimento, assemelha-se a uma gigantesca caverna, iluminada suavemente pela luz colorida dos seus 186 vitrais. O órgão da catedral fica pendurado em uma das paredes laterais da nave de 37 metros de altura, e me fez lembrar um gigantesco morcego, vigiando os fieis perdidos na escuridão. Só não é tão ameaçador, pois dele sai melodiosas composições de gênios da música. Alias, foi Bach quem anunciou a entrada de uma noiva na igreja, de vestido rosa e chapéu, quase que pedindo licença para os turistas.
Não deixe de dar uma volta completa na catedral, observando os portais laterais, os arcobotantes e as capelas. Há um belvedere atrás da catedral, com uma bonita vista da cidade.
Dado interessante: todos os vitrais da catedral foram removidos e guardados em local seguro durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de protegê-los contra eventuais bombardeios.

Próxima etapa: Vale do Loire.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Jardins de Versailles

A parte da visita mais marcante para nós, foi sem dúvida o passeio pelos jardins do palácio de Versailles, a obra-prima do paisagista André Le Nôtre.
O lugar é imenso (cerca de 3km em seu eixo maior). Então se prepare para andar (acho que já repeti essa frase antes!). Nós ficamos exaustos e não conhecemos nem metade do lugar.
À esquerda, ao sair do palácio, fica a L'Orangerie (foto abaixo), cujos desenhos geométricos podem ser apreciados apartir de um belvedere (uma ótima chance de tirar uma boa foto) e no outro extremo fica a bela Fonte de Netuno. No centro, em frente ao Salão dos Espelhos, ficam dois vastos espelhos d'água (Le Parterre d'Eau).

Neste alinhamento central fica a Fonte de Latone (foto abaixo), de onde se tem uma bela vista do 'Caminho Real' (Tapis Vert) e do Grande Canal. O Caminho Real é uma extensa alameda gramada no centro e ladeada por esculturas e vasos. Tem 335 metros de extensão e 40 metros de largura. Já o Grande Canal alinha-se a esse eixo e tem 1670 metros de comprimento. Construído em 11 anos servia para espetáculos náuticos com réplicas de embarcações e gôndolas trazidas de Veneza.


Vale a pena ainda conhecer: o Jardim do Rei Luis XVIII, a Colunata de Mansart, o Grand Trianon e o Petit Trianon. Este último palacete foi construído por Luis XV para abrigar sua amante, e mais tarde virou o refúgio pessoal de Maria Antonieta (esposa de Luis XVI), que gostava de manter sua privacidade longe da pomposa e sufocante Corte Francesa.

Nós não chegamos a conhecer os 'Trianons'. Estávamos cansados demais e tínhamos uma longa viagem pela frente: dormiríamos em Amboise, no Vale do Loire, com passagem pela catedral de Chartres, ainda no caminho até lá.
Reserve, no mínimo, uma manhã para conhecer tudo. O ideal seria um dia inteiro...seria perfeito.
Sentar em algum lugar tranquilo, quem sabe fazer um desenho, ou só ficar observando o movimento das carruagens, dos barquinhos do canal, dos turistas apressados (como nós).
Tudo bem...algumas horas serão suficientes para você nunca mais esquecer este lugar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

5º dia: Versailles

Pegamos a rodovia A13 e rodamos cerca de 20km até chegarmos à pequena cidade de Versailles, onde fica o palácio.
Estacionamos facilmente o carro em um dos bolsões existentes no local.
Mas o acesso ao palácio foi um pouco confuso: filas diferentes para visitantes individuais e grupos e diferentes tipos de ingressos. Escolhemos o básico: aquela que permite acesso aos interiores e aos jardins.
No site oficial você verá essas diferentes opções de ingressos, mas as duas principais são:
Um 'passaporte' que inclui tudo, inclusive o Grand e Petit Palais (vale a pena se você tiver o dia inteiro disponível): 20 Euros;
Um ingresso para o palácio (o site não deixa claro se este ingresso inclui os jardins também): 13,50 Euros;

Breve histórico:
A corte real francesa desejava construir um palácio em um local próximo à Paris, mas ao mesmo tempo fora dos limites da cidade, evidentemente para se proteger no já tumultuado centro da cidade. A escolha do local se deu pela já existência de um pavilhão de caça, erguido por Luis XIII apartir de 1624. Seu sucessor, Luis XIV, contratou o arquiteto Louis Le Vau para começar as obras do ambicioso palácio, apartir de 1664. Participaram ainda da empreitada: arquiteto Jules Hardouin-Mansart, o arquiteto-paisagista André Le Nôtre e o pintor-decorador Charles Le Brun , um 'dream team' da arquitetura barroca.

Interior do Palácio:
Prepare-se para enfrentar a multidão de turistas se acotovelando nas estreitas passagens, tentado prestar atenção em seus audio-guides ou 'live-guides'. Bom, não fique irritado, afinal de contas você será mais um entre centenas deles.
Eu não retive muitas coisas na memória e não tirei fotografias lá dentro (me parece que agora é possível, sem o flash).
Lembro de ter ficado um pouco decepcionado justamente pelo excesso de gente, e pelos aposentos parecerem um pouco artificiais. Parece mesmo um museu, sendo difícil imaginar os ambientes sendo usados naquela época. Acho que na verdade faltou mais informação sobre o que estávamos vendo – um audio-guide teria ido bem (eles estão incluídos nos ingressos agora).
Mas lembro de ter ficado impressionado com a Capela Real e com o famoso Salão dos Espelhos. Este último aposento é certamente o mais significativo da visita, porque é realmente muito bonito. Espelhos de um lado, janelas com vistas fabulosas para os jardins de outro. Percorra os 70 metros de comprimento dessa sala com calma.
No próximo post sairemos para os grandiosos jardins do palácio de Versailles.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

5º dia: Aluguel do carro

Depois de quatro fantásticos dias em Paris, tínhamos pela frente uma das partes da viagem mais excitantes: viajar de carro pela França.
Nós alugamos o carro do Brasil, na Avis, e marcamos a retirada na estação de Gare du Nord. Fácil não é?
Acontece que a Gare do Nord é gigantesca, distribuídas em vários pavimentos e sem um santo para dar uma informação correta...Bom, talvez eu esteja exagerando, mas o fato é que resolvemos sair bem cedo do albergue para não atrasarmos muito (há um horário estipulado na hora da reserva). Difícil é ficar procurando lugares com todas as malas nas costas...por isso gosto de planejar as coisas o máximo possível para evitar esses 'perrengues'. A loja da Avis ficava lá no suvaco da Gare.
Bom, trâmites feitos e aquela velha história: sempre aparece uma taxinha extra na hora de passar o cartão de crédito nas agências de carro. Então quando for alugar um carro pela Internet saiba que o valor apresentado é apenas um parâmetro.
Nosso carro era um Citroen C3. Carrinho bacana. Empolgação total. Grandes expectativas.
Conseguimos sair da cidade sem maiores problemas e logo caímos na estrada com destino à Versailles.