A sorte é que eu lembrava do nome de um hotel do outro lado do rio chamado La Pérgula. Fomos para lá, preocupados com a estrada estreita e escura, e já estávamos exaustos. Havia um único quarto disponível – no sótão! Beleza, era tudo o que queríamos. O dia seguinte reservava grandes acontecimentos. Eu rezei para sair sol e para o piso de madeira velha não afundar com a gente.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Caminho para Amboise
A sorte é que eu lembrava do nome de um hotel do outro lado do rio chamado La Pérgula. Fomos para lá, preocupados com a estrada estreita e escura, e já estávamos exaustos. Havia um único quarto disponível – no sótão! Beleza, era tudo o que queríamos. O dia seguinte reservava grandes acontecimentos. Eu rezei para sair sol e para o piso de madeira velha não afundar com a gente.
domingo, 1 de novembro de 2009
5º dia: Chartres
Deixamos Versailles com destino à Chartres, pequena cidade com 42.000 habitantes, a 96 km de Paris. Seria mais uma parada neste longo dia, antes de chegarmos à Amboise.Lembro-me de estarmos irradiantes com aquele momento: dirigíamos na França, ouvindo Paul McCartney, e avistamos as torres da catedral ainda da estrada, a mais de 10km de distância! A Catedral de Chatres é um dos mais preciosos monumentos históricos da França e uma das mais belas catedrais góticas da Europa.
Para chegar à catedral passamos a pé por uma ponte de pedra sobre o rio Eure e por estreitas e simpáticas vielas. A catedral ergue-se massivamente em meio à este acanhado cenário urbano.
A primeira igreja românica erguida neste local foi iniciada no ano de 1020 e destruída por um incêndio em 1194. Remanescentes da fachada principal, do campanário sul e da cripta sobreviveram a este incêndio, e assim foram incorporados à construção da nova catedral gótica, finalizada em apenas 26 anos, ou seja, em 1220.
Não deixe de dar uma volta completa na catedral, observando os portais laterais, os arcobotantes e as capelas. Há um belvedere atrás da catedral, com uma bonita vista da cidade.Dado interessante: todos os vitrais da catedral foram removidos e guardados em local seguro durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de protegê-los contra eventuais bombardeios.
Próxima etapa: Vale do Loire. segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Jardins de Versailles
A parte da visita mais marcante para nós, foi sem dúvida o passeio pelos jardins do palácio de Versailles, a obra-prima do paisagista André Le Nôtre.O lugar é imenso (cerca de 3km em seu eixo maior). Então se prepare para andar (acho que já repeti essa frase antes!). Nós ficamos exaustos e não conhecemos nem metade do lugar.
À esquerda, ao sair do palácio, fica a L'Orangerie (foto abaixo), cujos desenhos geométricos podem ser apreciados apartir de um belvedere (uma ótima chance de tirar uma boa foto) e no outro extremo fica a bela Fonte de Netuno. No centro, em frente ao Salão dos Espelhos, ficam dois vastos espelhos d'água (Le Parterre d'Eau).
Neste alinhamento central fica a Fonte de Latone (foto abaixo), de onde se tem uma bela vista do 'Caminho Real' (Tapis Vert) e do Grande Canal. O Caminho Real é uma extensa alameda gramada no centro e ladeada por esculturas e vasos. Tem 335 metros de extensão e 40 metros de largura. Já o Grande Canal alinha-se a esse eixo e tem 1670 metros de comprimento. Construído em 11 anos servia para espetáculos náuticos com réplicas de embarcações e gôndolas trazidas de Veneza.
Vale a pena ainda conhecer: o Jardim do Rei Luis XVIII, a Colunata de Mansart, o Grand Trianon e o Petit Trianon. Este último palacete foi construído por Luis XV para abrigar sua amante, e mais tarde virou o refúgio pessoal de Maria Antonieta (esposa de Luis XVI), que gostava de manter sua privacidade longe da pomposa e sufocante Corte Francesa.
Nós não chegamos a conhecer os 'Trianons'. Estávamos cansados demais e tínhamos uma longa viagem pela frente: dormiríamos em Amboise, no Vale do Loire, com passagem pela catedral de Chartres, ainda no caminho até lá.Reserve, no mínimo, uma manhã para conhecer tudo. O ideal seria um dia inteiro...seria perfeito.
Sentar em algum lugar tranquilo, quem sabe fazer um desenho, ou só ficar observando o movimento das carruagens, dos barquinhos do canal, dos turistas apressados (como nós).
Tudo bem...algumas horas serão suficientes para você nunca mais esquecer este lugar.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
5º dia: Versailles
Pegamos a rodovia A13 e rodamos cerca de 20km até chegarmos à pequena cidade de Versailles, onde fica o palácio.Estacionamos facilmente o carro em um dos bolsões existentes no local.
Mas o acesso ao palácio foi um pouco confuso: filas diferentes para visitantes individuais e grupos e diferentes tipos de ingressos. Escolhemos o básico: aquela que permite acesso aos interiores e aos jardins.
No site oficial você verá essas diferentes opções de ingressos, mas as duas principais são:
Um 'passaporte' que inclui tudo, inclusive o Grand e Petit Palais (vale a pena se você tiver o dia inteiro disponível): 20 Euros;
Um ingresso para o palácio (o site não deixa claro se este ingresso inclui os jardins também): 13,50 Euros;
Breve histórico:
A corte real francesa desejava construir um palácio em um local próximo à Paris, mas ao mesmo tempo fora dos limites da cidade, evidentemente para se proteger no já tumultuado centro da cidade. A escolha do local se deu pela já existência de um pavilhão de caça, erguido por Luis XIII apartir de 1624. Seu sucessor, Luis XIV, contratou o arquiteto Louis Le Vau para começar as obras do ambicioso palácio, apartir de 1664. Participaram ainda da empreitada: arquiteto Jules Hardouin-Mansart, o arquiteto-paisagista André Le Nôtre e o pintor-decorador Charles Le Brun , um 'dream team' da arquitetura barroca.
Interior do Palácio:
Prepare-se para enfrentar a multidão de turistas se acotovelando nas estreitas passagens, tentado prestar atenção em seus audio-guides ou 'live-guides'. Bom, não fique irritado, afinal de contas você será mais um entre centenas deles.
Eu não retive muitas coisas na memória e não tirei fotografias lá dentro (me parece que agora é possível, sem o flash).
Lembro de ter ficado um pouco decepcionado justamente pelo excesso de gente, e pelos aposentos parecerem um pouco artificiais. Parece mesmo um museu, sendo difícil imaginar os ambientes sendo usados naquela época. Acho que na verdade faltou mais informação sobre o que estávamos vendo – um audio-guide teria ido bem (eles estão incluídos nos ingressos agora).
Mas lembro de ter ficado impressionado com a Capela Real e com o famoso Salão dos Espelhos. Este último aposento é certamente o mais significativo da visita, porque é realmente muito bonito. Espelhos de um lado, janelas com vistas fabulosas para os jardins de outro. Percorra os 70 metros de comprimento dessa sala com calma.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
5º dia: Aluguel do carro
Depois de quatro fantásticos dias em Paris, tínhamos pela frente uma das partes da viagem mais excitantes: viajar de carro pela França.
Nós alugamos o carro do Brasil, na Avis, e marcamos a retirada na estação de Gare du Nord. Fácil não é?
Acontece que a Gare do Nord é gigantesca, distribuídas em vários pavimentos e sem um santo para dar uma informação correta...Bom, talvez eu esteja exagerando, mas o fato é que resolvemos sair bem cedo do albergue para não atrasarmos muito (há um horário estipulado na hora da reserva). Difícil é ficar procurando lugares com todas as malas nas costas...por isso gosto de planejar as coisas o máximo possível para evitar esses 'perrengues'. A loja da Avis ficava lá no suvaco da Gare.
Bom, trâmites feitos e aquela velha história: sempre aparece uma taxinha extra na hora de passar o cartão de crédito nas agências de carro. Então quando for alugar um carro pela Internet saiba que o valor apresentado é apenas um parâmetro.
Nosso carro era um Citroen C3. Carrinho bacana. Empolgação total. Grandes expectativas.
Conseguimos sair da cidade sem maiores problemas e logo caímos na estrada com destino à Versailles.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Quarto dia em Paris: 4a parte – Chega de Louvre
Depois de tanta cultura, qual o melhor programa para se fazer?Errou, se pensou em compras. É continuar desvendando essa cidade fantástica.
Seguimos para o vizinho Palais Royal, e seu adjacente jardim.
O Palais Royal foi encomendado pelo Cardeal Richelieu e foi concluído em 1629. Passou a ser propriedade da Coroa Francesa apartir de 1642, doado pelo próprio cardeal antes de sua morte. Hoje o palácio abriga o Conselho de Estado, o Ministério da Cultura.
Certamente o mais interessante desse local é o jardim de 225 x 90 metros, repleto de flores e bancos agradáveis para recompor as energias.
Quando eu estava tirando a foto acima, achava que estava sendo super-original. Pena que vi tantas fotos parecidas na internet depois. E na época, minha máquina era de filmes: ou seja, tiro no escuro total. Se fosse uma digital teria ficado melhor.Este parque foi aberto ao público em 1640 e abriga o Museu de História Natural e Zoológico. Nós não visitamos esses lugares, só passeamos à toa por entre as alamedas de canteiros floridos e árvores grandiosas, como este cedro do Líbano, plantando em 1734. (foto abaixo)
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Quarto dia em Paris: 4a parte – Última do Louvre
Nós ficamos 4 horas dentro do Louvre. Quatro horas parece muito tempo, mas não dá pra ver nem 10% do acervo. Se você ficar 10 segundos na frente de todas as 35.000 peças de arte do museu, você precisará de 97 horas para ver tudo! Isso sem contar os 10 minutos de empurra-empurra para chegar perto da Mona Lisa. Você precisará de bastante energia para percorrer mais de 7km de galerias (pelas minhas contas) ou 60.000 m² . Se você tentar absorver toda essa arte, provavelmente ficará sabendo o que é Síndrome de Stendhal.
Portanto, estabeleça suas prioridades: comece, por exemplo, pela galeria de pinturas italianas, na Ala Denon. No final dos 270 metros de comprimento dessa galeria, você chegará a uma grandiosa sala, que é o abrigo da pequena Mona Lisa.
Mona Lisa
Pequena em suas dimensões (77x53cm), mas gigantesca em sua fama, a Mona Lisa atrai uma multidão de ávidos turistas loucos pra chegar perto dela, tirar uma foto e dizer depois: "Eu vi a Mona Lisa!"...
Eu vi!
Seis milhões de pessoas por ano fitam aqueles olhos indecifráveis. Experimente ficar pelo menos 5 minutos na frente dela e você começará a entender o porque de tanta fama. Ela é sim extraordinária, pois ali parecer existir uma alma, estampada em sfumato na tela. É justamente o sfumato, a técnica de pintura desenvolvida por Leonardo da Vinci, que é responsável pelo ar misterioso da expressão da Mona Lisa. Sem definir uma linha ou limite nítido nos cantos dos olhos e da boca, Leonardo deixou para nós decidirmos se ela está sorrindo ou ironizando, se está triste ou feliz, se está no céu ou no inferno.
Como o acervo está divididoSão 8 departamentos divididos em 3 alas, dispostas em 4 pavimentos.
Departamentos:
Antiguidades do Oriente Médio;
Antiguidades Egípcias;
Antiguidades Gregas, Etruscas e Romanas;
Arte Islâmica;
Escultura;
Arte Decorativa (ou Aplicada);
Pinturas (século XIII a 1848 – pense em qualquer pintor europeu e haverá alguma obra dele lá);
Impressões e Desenhos;
Alas: Richelieu, Sully e Denon, correspondendo às asas do edifício.
Pavimentos:Subsolo: O Louvre medieval – as muralhas do castelo que eu mencionei antes;
Térreo: esculturas e antiguidades;
Primeiro piso: pintura italiana, na ala Denon;
Segundo piso: pintura francesa e flamenga, na ala Richelieu;
Como eu falei antes: se você começar a visita olhando minuciosamente artefatos, fragmentos e quinquilharias da antiguidade, você certamente chegará já meio cansado na parte das pinturas. Então comece por lá.
A divisão dos pavimentos acima está bem básica, portanto vale a pena fazer o download da brochura oficial do museu.
Neste link você encontrará as informações práticas. Se você está com preguiça de clicar: entrada 9 Euros para exposição permanente / museu aberto das 9:00 às 18:00hs.
Palais de Tuileries – essa ala de 266 metros 'fechava' o Louvre em seu lado oeste, próximo ao Jardin de Tuileries. Foi incendiada durante a Comuna de Paris em 1871, e demolida alguns anos depois. (o tracejado no desenho).
Existe um projeto para reconstruí-la e assim aumentar a área de exposições do Louvre. Felizmente, antes do incêndio, todos os móveis e objetos de arte foram retirados do edifício.
Segunda Guerra Mundial
Em 1939, grande parte do acervo do Louvre foi removida do museu, e levado para diversas localidades espalhadas pela França, incluindo o castelo de Chambord, no Vale do Loire. Ficaram apenas no museu as peças pesadas demais para serem transportadas. Imagine a complexidade dessa operação?
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Quarto dia em Paris: 3a parte – Mais Louvre


O imenso edifício que vemos hoje é resultado de sucessivas construções e ampliações feitas por reis e imperadores franceses. O rei Felipe Augusto construiu, apartir de 1190 as muralhas de defesa da cidade, e em seu lado oeste, junto ao rio Sena, ergueu uma fortificação – parte dessa fortaleza pode ser vista hoje, graças às escavações dos anos 1980. Eu fiquei alucinado quando descobri que, 'em baixo do museu, os caras acharam um castelo'! Foi essa a minha impressão naquele momento, e talvez eu tenha dito exatamente isso para minha esposa. Incrível...Que cuidado extraordinário com o patrimônio histórico os franceses tem. Eles escavaram um imenso buraco em volta da base das muralhas, a 7 metros de profundidade, sob uma laje de concreto que suporta o pátio de Cour Carrée. Tudo isso estava enterrado havia 500 anos.
Apartir do século XIV, o Louvre perdeu sua função defensiva e passou a ser transformado gradativamente em palácio real, até atingir suas vastas dimensões atuais. Para ser ter uma idéia do tamanho do prédio ele mede cerca de 660 metros em seu eixo longitudinal, e 260 metros separam as duas alas no lado que se abre para Tuileries.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Quarto dia em Paris: 2a parte – Mapa 01
Neste mapa estão localizados os principais pontos turísticos que venho mencionando neste blog, e que fizeram parte do nosso roteiro em 2004.
Ligando estes pontos de interesse estão representadas algumas vias urbanas (as avenidas e os bulevares). O problema (para desenhar) é que tecido urbano de Paris foi muito bem planejado, e cada parte está conectada a outra formando um todo extremamente coeso e lógico, daí a dificuldade em simplificar o visual do mapa. Mesmo assim procurei mostrar o essencial, caso contrário ia ser mais fácil usar o Google Map.
Além do nobre interesse de Napoleão III em tornar Paris uma cidade moderna e majestosa, havia outro, de caráter estratégico: acabar com os levantes populares (como a Comuna de Paris), que se beneficiavam das estreitas vielas medievais para erguer suas barricadas e facilmente lutar contra os soldados do império. Além disso, acabando com as habitações populares na região central da cidade forçou a população de baixa renda a migrar para os subúrbios.
Haussmann também criou e ampliou os sistemas de água e esgotos da cidade.
Essa nova maneira de pensar a cidade influenciou os arquitetos e urbanistas do período modenista, como Le Corbusier. Mesmo assim, o sucesso de Haussmann é questionado pelo preservacionistas, que o criticam pela destruição do passado medieval de Paris. Embora seja muito agradável andar pelas vielas de um bairro que preserva seu traço medieval, como no centro histórico de Barcelona ou no bairro da Alfama em Lisboa, o sucesso da empreitada de Haussmann é indiscutível.
Neste outro mapa, eu demarquei alguns eixos urbanos marcantes de Paris. O principal deles é o Eixo Histórico, que liga o Louvre ao moderno distrito financeiro de La Défense. Em seu percurso de 5 km o trecho mais importante certamente é o que vai do Museu do Louvre ao Arco do Triunfo.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Quarto dia em Paris: 1a parte – Jardin des Tuileries / Louvre

Só mais 350 metros e estávamos no centro da famosa pirâmide de vidro projetada pelo arquiteto I.M.Pei em 1989, que é o acesso principal do museu.
Então, para tentar iluminar o caminho para mim mesmo (e para quem for ler tudo isso), vou continuar assim: misturando informações práticas, descrições dos locais (focando principalmente arquitetura) e minhas próprias impressões e experiências. As fotos postadas são sempre minhas (exceto os links) e os desenhos também.
Antes de entrar no Louvre nós passamos ainda sob o Arc de Triomphe du Carrousel, construído por Napoleão em 1805. Ali perto fica a pirâmide invertida de vidro, celebrizada pelo livro de Dan Brown – ela fica no meio de uma rotatória, então passa, na realidade, desapercebida.Não resisto. Vou fazer um desenho para tentar explicar um pouco essa área. O próximo post começará com ele (olha o compromisso...). Por hoje, apenas fotos.

